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Portugal depois da chegada: habitação, trabalho e burocracia no recomeço de brasileiros

Um levantamento exploratório com sete brasileiros residentes em Portugal aponta três questões recorrentes depois da chegada: habitação, trabalho e burocracia.

Por Viviane Oliveira António· Publicado a 6 de outubro de 2026
Prédios residenciais com fachadas de azulejo e roupa a secar nas varandas, numa rua de bairro em Portugal
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial. Não retrata participantes da pesquisa.

A decisão de migrar costuma ser construída antes da viagem. A vida que começa depois dela, nem sempre.

Um levantamento exploratório realizado pelo Portugal Real com sete brasileiros residentes em Portugal aponta três questões recorrentes na experiência depois da chegada: habitação, trabalho e burocracia.

Seis dos sete participantes apontaram a habitação como uma das principais dificuldades. Quatro disseram ter encontrado dificuldades para arrendar por serem estrangeiros. Outros quatro afirmaram que o trabalho atual não corresponde à sua formação.

O número de participantes é pequeno e não permite representar a comunidade brasileira em Portugal. Mas as respostas funcionam como uma porta de entrada para uma questão maior: o que os brasileiros imaginam encontrar quando chegam a Portugal — e o que encontram depois?

Principais dificuldades (resposta múltipla)
  • Arrendamento6 de 7 (85,7%)
  • Documentação4 de 7 (57,1%)
  • Baixo rendimento1 de 7 (14,3%)
  • Alimentação1 de 7 (14,3%)
  • Trabalho1 de 7 (14,3%)
  • Adaptação cultural1 de 7 (14,3%)

Fonte: levantamento exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=7.
Amostra pequena: os resultados não representam a comunidade brasileira em Portugal.

Trabalho e formação
4 de 7

dizem que o trabalho atual não corresponde à sua formação.

Fonte: levantamento exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=7.
Amostra pequena: os resultados não representam a comunidade brasileira em Portugal.

Burocracia
4 de 7

pagaram a intermediários para tratar da documentação. Os 7 estão regularizados.

Fonte: levantamento exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=7.
Amostra pequena: os resultados não representam a comunidade brasileira em Portugal.

A casa é o primeiro problema

O arrendamento foi a dificuldade mais assinalada (6 de 7). Quatro participantes disseram ter tido dificuldade em arrendar por serem estrangeiros; três disseram que não. Sobre a habitação atual, 2 disseram conseguir pagá-la, 2 disseram não conseguir e 3 não vivem sozinhos. O custo de vida foi descrito como médio por 3 participantes, alto por 3 e muito alto por 1.

O trabalho nem sempre começa onde a formação terminou

Cinco participantes trabalham com contrato, 1 de forma informal e 1 não trabalha. Quando questionados sobre se o trabalho corresponde à formação, 1 respondeu que sim, 1 parcialmente, 4 que não e 1 tem a formação por concluir. Dois disseram sentir que ser brasileiro é valorizado no mercado de trabalho, 3 que não e 2 que parcialmente. Dois relataram exploração, atrasos de pagamento ou falsas promessas de trabalho; 5 não.

Entre os desafios profissionais indicados: falta de documentação (3), falta de experiência local (2), preconceito (2), baixos salários (2) e diploma não reconhecido (1).

O preço da burocracia

Os sete participantes estão regularizados. Ainda assim, a documentação foi apontada como dificuldade por 4, e 4 disseram ter pago a intermediários para tratar da documentação. Sobre o acesso a informação confiável acerca de residência, saúde, finanças e direitos, 3 responderam que sim, 3 "mais ou menos" e 1 que não.

O que surpreende depois da chegada

Antes da mudança, os fatores de atração mais referidos foram segurança (5), trabalho (3), qualidade de vida (3) e acesso à Europa (2); família e facilidade linguística foram referidos uma vez cada. Depois da chegada, o que gostariam de ter sabido antes foi sobretudo habitação (5), documentação (4), trabalho (4) e custo de vida (4), seguidos de xenofobia/discriminação (3), saúde (2) e educação (1).

Dois participantes disseram ter sentido xenofobia várias vezes; 5 disseram que não. No acesso à saúde pública, 2 relataram dificuldade, 3 não e 2 ainda não precisaram.

O que a imprensa está a mostrar?

Questionados sobre se a imprensa aborda a crise habitacional com profundidade, 2 responderam que sim, 2 que não, 1 parcialmente e 2 disseram não acompanhar.

A informação antes da partida

As respostas sugerem uma distância entre os motivos que atraem e as condições encontradas, sobretudo na habitação. Com sete participantes, trata-se de uma hipótese de trabalho, não de uma conclusão.

O que ainda precisamos investigar

  • O papel dos intermediários pagos nos processos de documentação.
  • Os obstáculos concretos ao arrendamento por estrangeiros.
  • O reconhecimento de diplomas e a correspondência entre formação e trabalho.
  • Que informação existe, e onde, antes da partida.

Metodologia

Levantamento exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=7. Todos os participantes são brasileiros residentes em Portugal: Amarante (1), Braga (2), Porto (2) e Vila Nova de Famalicão (2). Idades: até 18 (1), 25–34 (3), 35–44 (1), 45–54 (2). Escolaridade: básico/fundamental (1), secundário (3), técnico (1), superior completo (1), pós-graduação (1).

A amostra é pequena e não representa a comunidade brasileira em Portugal. Os resultados não permitem inferências causais nem generalizações.

Esta investigação está em apuração e pode ser atualizada. Correções e atualizações serão assinaladas nesta página com data.

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