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Braga · Migração · Trabalho e pertencimentoInvestigação em apuração

Chegar não é o mesmo que pertencer: o que 51 mulheres brasileiras em Braga dizem sobre viver em Portugal

Um levantamento do Portugal Real com 51 mulheres brasileiras ou brasileiras-portuguesas residentes no concelho de Braga mostra a distância entre estar estabelecida e sentir-se acolhida.

Por Viviane Oliveira António· Publicado a 6 de outubro de 2026
Rua pedonal em granito no centro histórico de Braga, com mulheres a caminhar de costas e uma igreja barroca ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial. Não retrata participantes da pesquisa.

Chegar a um país é uma coisa. Sentir que se pertence a ele é outra.

Um levantamento realizado pelo Portugal Real com 51 mulheres brasileiras ou brasileiras-portuguesas residentes no concelho de Braga mostra uma distância entre essas duas experiências. Embora a maioria esteja estabelecida em Portugal, apenas 9 participantes disseram sentir-se acolhidas em Braga. Outras 35, o equivalente a 68,6% do universo analisado, responderam que se sentem apenas parcialmente acolhidas. Sete disseram não se sentir acolhidas.

Os números não representam todas as mulheres brasileiras que vivem em Braga. São o retrato de um grupo que respondeu a um questionário exploratório. Mas ajudam a colocar uma pergunta que dificilmente aparece quando a imigração é contada apenas em números de residentes: o que acontece depois da chegada?

Acolhimento em Braga
68,6%

sentem-se apenas parcialmente acolhidas em Braga (35 de 51). 9 sentem-se acolhidas; 7 não.

Fonte: questionário exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=51.
Os resultados refletem as respostas das participantes do questionário e não constituem uma amostra estatisticamente representativa de todas as mulheres brasileiras residentes em Braga.

Estereótipos
46 de 51

identificam algum tipo de estereótipo. 3 não identificam; 2 não sabem.

Fonte: questionário exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=51.
Os resultados refletem as respostas das participantes do questionário e não constituem uma amostra estatisticamente representativa de todas as mulheres brasileiras residentes em Braga.

Dificuldades assinaladas (resposta múltipla)
54,9%

assinalaram dificuldades financeiras.

54,9%

assinalaram preconceito/estereótipos.

  • Financeiras28 de 51 (54,9%)
  • Preconceito/estereótipos28 de 51 (54,9%)
  • Mercado de trabalho27 de 51 (52,9%)
  • Documentação26 de 51 (51%)
  • Emocionais/psicológicas25 de 51 (49%)
  • Falta de rede de apoio20 de 51 (39,2%)
  • Outras2 de 51 (3,9%)

Cada participante podia assinalar mais de uma opção; os valores não somam 100%.

Fonte: questionário exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=51.
Os resultados refletem as respostas das participantes do questionário e não constituem uma amostra estatisticamente representativa de todas as mulheres brasileiras residentes em Braga.

Ações de apoio prioritárias (resposta múltipla)
66,7%

identificaram apoio psicológico como prioridade.

  • Apoio psicológico34 de 51 (66,7%)
  • Espaços de acolhimento29 de 51 (56,9%)
  • Formação profissional29 de 51 (56,9%)
  • Informação jurídica26 de 51 (51%)
  • Empreendedorismo16 de 51 (31,4%)
  • Outras5 de 51 (9,8%)

Fonte: questionário exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=51.
Os resultados refletem as respostas das participantes do questionário e não constituem uma amostra estatisticamente representativa de todas as mulheres brasileiras residentes em Braga.

A chegada não termina quando a documentação acaba

Entre as dificuldades assinaladas pelas participantes, a documentação aparece em 26 respostas (51,0%). Mas não aparece sozinha: dificuldades financeiras (28; 54,9%), preconceito e estereótipos (28; 54,9%), mercado de trabalho (27; 52,9%), questões emocionais e psicológicas (25; 49,0%) e falta de rede de apoio (20; 39,2%) surgem com frequência semelhante. Cada participante podia assinalar mais de uma dificuldade, pelo que os valores não somam 100%.

O trabalho é outra fronteira

O grupo tem escolaridade elevada: 38 das 51 participantes indicaram ensino superior, 12 o secundário e 1 o ensino básico. Quanto à independência financeira, 18 (35,3%) disseram tê-la, 15 (29,4%) disseram tê-la parcialmente e 18 (35,3%) disseram não a ter.

Estes dados não permitem estabelecer uma relação de causa entre formação, trabalho e rendimento. Permitem, sim, formular uma pergunta para a próxima fase da apuração: o que acontece à formação destas mulheres quando chegam ao mercado de trabalho em Braga?

O preconceito não aparece sozinho

Quarenta e seis participantes disseram identificar algum tipo de estereótipo associado às mulheres brasileiras; 3 disseram que não e 2 que não sabem. Entre os tipos de estereótipo identificados, 30 respostas apontam estereótipos negativos, 18 apontam negativos e positivos e 3 nenhum.

Identificar um estereótipo não é o mesmo que relatar uma experiência pessoal de discriminação. Nas respostas sobre preconceito, o Portugal Real distingue respostas afirmativas explícitas, respostas negativas, relatos ouvidos de terceiros e respostas compostas — e não as agrega numa única categoria.

Quando o problema também é emocional

Questionadas sobre que ações de apoio consideram prioritárias, 34 participantes (66,7%) indicaram apoio psicológico. Seguem-se espaços de acolhimento (29; 56,9%), formação profissional (29; 56,9%), informação jurídica (26; 51,0%) e apoio ao empreendedorismo (16; 31,4%). Cinco (9,8%) indicaram outras ações. Também aqui as respostas eram múltiplas.

O que os números mostram — e o que não mostram

Os números mostram um grupo estabelecido, com escolaridade elevada, que em grande parte não se sente plenamente acolhido. Não mostram porquê. Não permitem afirmar que as mulheres brasileiras em Braga, em geral, vivem esta realidade. E não substituem as histórias individuais que ajudam a compreendê-la.

O que ainda precisamos investigar

  • Como se constrói, na prática, a sensação de acolhimento parcial.
  • Que relação existe entre formação académica e trabalho exercido.
  • Que respostas existem, em Braga, para a procura de apoio psicológico.
  • Como estas experiências se comparam com as de outros grupos e outros concelhos.

Metodologia

Questionário exploratório realizado pelo Portugal Real, 2026. n=51. Universo elegível: mulheres brasileiras ou brasileiras-portuguesas residentes no concelho de Braga.

Os resultados não constituem uma amostra estatisticamente representativa de todas as mulheres brasileiras residentes em Braga. Não são feitas inferências causais. Não são publicadas citações pessoais sem autorização expressa de publicação.

Distribuição etária registada: 46–55 anos (20), 36–45 (17), 18–25 (6), mais de 55 (4), 26–35 (3). Uma resposta foi registada como "18" e é mantida tal como foi codificada, sem ser incorporada numa faixa etária.

Pesquisa de autoria própria de Viviane Oliveira António / Portugal Real. Os resultados foram apresentados no fórum "As Dores da Migração", realizado pela UAI. A UAI não encomendou a pesquisa, não é autora da pesquisa nem coautora desta reportagem.

Esta investigação está em apuração e pode ser atualizada. Correções e atualizações serão assinaladas nesta página com data.

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